Saturday, May 06, 2006

Funesto

Indubtavelmente, algo morreu!
Eca, tá morto mesmo, duro e azedo.
Cutuca, cavuca, puxa e empurra.
Xí, já era. Ó aí, ó. morreu mesmo.

Pega a pá lá, Zé, que tá começando a cheirar.
arrasta daqui esse treco sem nada dentro
Resolve esse constrangimento em carne mole
em gordura velha, inerte e cartilaginoso.

Enterra de vez essa carcaça duma figa
porque agora já tá tarde e não serve mais pra nada
Tivesse sido mais ágil, sabido e ligeiro
Tivesse achado o defunto inteiro, quiçá, dava churrasco.

Benza, que esse aí partiu doutra pra melhor.
Ou não.
Mas garante que não volta, coloca pedra em volta
com toda a pompa e cerimônia, mas garante que não torna
a vagar, esse estrupício.

Bota moeda nos olhos que já vai tarde
nas ondas do Caronte que depois que passa
Singra, oscila, mareia e finalmente abandona
Oxalá, misinfin, Cruz credo.